sábado, 10 de abril de 2010

O Planeta Pede Água

O problema da escassez de água tornou-se uma séria ameaça para o planeta neste terceiro milênio. Durante muito tempo, acreditou-se que a água doce da Terra não acabaria nunca. Entretanto, o aumento da população, o desperdício, a poluição e a crescente urbanização sem um planejamento adequado agravaram, com o passar do tempo, o problema da falta de água. Racionamento e disseminação de doenças são apenas algumas consequências do mau uso dos recursos hídricos.
Apesar de a água exercer um papel fundamental na vida do homem, dos animais e vege¬tais, bem como no desenvolvimento das atividades econômicas, o desperdício ainda é uma constante. Vazamentos, torneiras mal fechadas, banhos muito demorados são uma prova de que o homem trata a água como se ela fosse um recurso inesgotável. É preciso ficar claro que a água pode acabar. Pelo menos, a água limpa. Com ela, morrerão plantas, animais e o próprio homem, o principal responsável por sua degradação.
Além do uso inadequado, a distribuição desigual dos recursos hídricos sobre a Terra e as diferenças de consumo entre países e setores econômicos tornam o futuro do abastecimento de água para as novas gerações ainda mais preocupante.

A hidrosfera
A hidrosfera, Camada líquida da Terra, com¬preende as águas dos oceanos e mares, dos rios, dos lagos e a água subterrânea.
A água está em constante circulação na natu¬reza, onde se apresenta sob três formas ou estados: sólido, líquido e gasoso. Essa circulação contínua da água, à qual chamamos de ciclo hidrológico, é essen¬cial para que haja vida na superfície da Terra.

O ciclo hidrológico

A água dos oceanos, rios, lagos, vegetais e ge¬leiras passa para a atmosfera, em forma de vapor, em um processo denominado evapotranspiração.As baixas temperaturas da atmosfera fazem esse vapor de água se condensar, passando para o estado líqui¬do e, dessa forma, se precipitar sobre a superfície da Terra.
Entretanto, dos 119 000 km3/ano de precipi¬tações que caem sobre os continentes, apenas 47 000 km3 não voltam para a atmosfera; perma¬necem nos continentes, circulando como água doce. Essa diferença entre a precipitação e a evapo¬ração é chamada excedente hídrico e transforma-se em rios, lagos (escoamento superficial) ou em len¬çóis de água subterrânea — as águas doces da Terra, que representam apenas uma pequena parte da hidrosfera.

Veja como é desigual a distribuição dos recur¬sos hídricos na superfície terrestre:
• 97,3% correspondem aos oceanos e mares;
• 2,7% são formados por águas doces.
Apenas 0,6% da hidrosfera (correspondentes às águas doces superficiais líquidas) pode ser considerado um recurso hídrico aproveitável pelo homem. Para agravar ainda mais esse quadro, a pequena par¬cela que chamamos de recursos hídricos economica¬mente aproveitáreis está concentrada em algumas regiões da Terra, enquanto outras sofrem pelar defi¬ciência de água.
As áreas mais áridas ocupam cerca de 40% da superfície dos continentes, onde se localizam países como Emirados Árabes Unidos, Malta, Líbia, Jordâ¬nia, Israel, entre outros. Em compensação, apenas nove países no mundo possuem cerca de 60% da água doce da Terra: Brasil (12%), Rússia, Estados Unidos, Canadá, China, Indonésia, índia, Colômbia e Peru. O clima é fundamental para explicar essas diferenças, pois influi diretamente na evaporação e na distribuição das chuvas durante o ano.
Disponibilidade e consumo da égua
Calcula-se que a água potável disponível na Terra seja equivalente a mais ou menos 12,5 mil km3, menos da metade do que havia há cinquenta anos. Descontando os usos industriais, agrícolas e domés¬ticos, as reservas mundiais chegavam a 16 800 m3 por pessoa, ao ano. No final do século XX, essas re¬servas se reduziram a 7 300 m3, e as previsões para 2025 não são nada animadoras, podendo chegar a 4 800 m3,
Entretanto, algumas partes do mundo sofre¬rão mais do que outras. A disponibilidade de água per capita na Europa e nos Estados Unidos será a metade da que dispunham «m 1950. Ásia e América Latina terão apenas um quarto dessa disponibili¬dade. As regiões mais atingidas serão o Oriente Médio e a África, que terão apenas a oitava parte do que tinham em 1950.
A água é utilizada principalmente na agricul¬tura, na indústria e no abastecimento de cidades.
A agricultura é o setor que mais utiliza os re¬cursos hídricos, principalmente para a irrigação. O próprio crescimento populacional requer o aumento da produção de alimentos e, conseqüentemente, da produção agrícola. Hoje, 70% da água disponível no planeta é utilizada nessa atividade, mas, segundo o Conselho Mundial da Água (WWC, sigla do inglês World Water Council), em 2020, serão precisos mais 1 7% desse recurso para aumentar o mundo. Dos continentes, apenas a Europa consome mais água no se¬tor industrial. A Oceania concentra no setor domés¬tico cerca de 8% do total mundial.

O equilíbrio entre a disponibilidade e o consu¬mo de água é uma grande preocupação da huma¬nidade para que o recurso não falte para mais gera¬ções, visto que a quantidade disponível por habitante caiu bastante nos últimos anos.

TABELA 2: CONSUMO ANUAL PER CAPITA DE AGUA NO MUNDO
Mundo =645 m3

América do Norte =1680 m3

América Latina e Caribe = 402 m*

Europa = 626 m3

Ásia = 542 m3

África = 202 m3

Oceania = 586 m3

Estados Unidos = 1870 m3

Brasil = 246m3

Rússia = 521m3

China = 461 m3

índia = 612 m3

Egito = 0.952 m3


Como nos mostra a tabela ao lado, existem dife¬renças extremas quanto ao consumo de água entre al¬guns lugares no mundo. Se a cidade de Nova York chega a consumir cerca de 2 000 í/dia, alguns países africanos não atingem a media de 10 a l S í/dia. Isso sem contar que, de acordo com o Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância), apenas a metade da população mundial tem acesso à água potável.
Água—Do mau uso a guerra
Segundo o Banco Mundial, cerca de oitenta países vão entrar em conflito por causa dos recursos hídricos.
Rios que atravessam países representam fontes essenciais de abastecimento de água. Em algumas re¬giões, os conflitos já ocorrem e se misturam às desa¬venças político-religiosas existentes. Em outras, não há conflitos, mas sérias dificuldades para a obtenção de água.

CRISE MUNDIAL DA ÁGUA

- Aquífero Ogalala. Maior reservatório subterrâneo dos Estados Unidos, estende-se do Texas até Dakota do Sul e é muito usado na agricultura irrigada das Planícies Centrais. No futuro, deverá ser alvo de disputa entre agricultores.
- Cidadã do México. Seus edifícios estão afundando devido ao bombeamento do aquífero que fica sob a cidade. A região já foi muito rica em água, que foi mal aproveitada. Desse modo, uma das maiores cidades do mundo pode sofrer colapso no abasteci¬mento de água.
- Catalunha (Espanha). A região da Catalunha sofre com períodos de fatia de água. Para solucionar o problema, as autoridades que¬rem construir um aqueduto, que vai levar a água do rio Rodano (Franca) até Barcelona (Espanha).
- África Ocidental. Os rios Volta e Níger são essenciais para países da região, como Nigéria, Níger, Mali e Gana.
- Rio Zamboze. Essa bacia, situada no sul da África, é uma das mais utilizadas no mundo. Tanto que, apesar de a região ser atingida por fortes chuvas que provocam enchentes catastróficas, existe disputa de água entre os países ai toca lixados.
- Rio Nilo. A bacia do Nilo, pelo seu potencial energético e de irri¬gação, muito aproveitado pelo Egito, poderá ser alvo de disputa • entre este e outros países, como o Sudão e a Etiópia.
- Oriente Médio. O rio Jordão, o mar da Galiléia e o rio Litani são os principais pontos de discórdia entre Israel, Líbano, Jordânia e Síria, que já têm problemas políticos e religiosas.
- Turquia. Essa pais, também situado no Oriente Médio, tem pro¬blemas com a Síria e o Iraque, que acusam «Turquia de construir barragens nos rios Tigre e Eufrates.
- Mar de Aral - Quarto mar fechado em extensão, recebe dois im¬portantes rios: o Amu Daria e o Syr Daria. A exploração inade¬quada e a irrigação da lavoura de algodão diminuem consideravelmente a quantidade de água desses rios, além de contaminá-los com agrotóxicos.
- Rio Gangas. O rio sagrado dos hindus está se esgotando e pon¬do em risco os mangues e as florestas de Bangladesh. Além dis¬so, está contaminado por arsênico oriundo do subsolo e tem si¬do objeto de disputa entre esse país e a índia.
- Rio Huang-ho e Río Amarelo). O rio que atravessa a maior região agrícola chinesa está muito poluído pêlos produtos químicos usados por essa atividade, pelo esgoto das cidades e pêlos resí¬duos industriais. Além disso, o volume de suas águas - con¬sumidas pela enorme população do país - tem diminuído con¬siderável m ente.
-Sudeste da Austrália. A Austrália è quase um grande deserto. Os rios Darling e Murray fornecem cerca de três quartos da água para a irrigação que é feita no pais. Uma tentativa malsucedida de desviar o curso de um rio menor, integrante dessas bacias, trouxe um grave problema: no leito seco do rio desviado, o sal do reservatório subterrâneo veio à superfície, tornando as terras im¬próprias para a agricultura.

Contaminação dos mananciais e desperdício

Mananciais são todos os recursos hídricos que podem ser aproveitados pelo homem. Podem ser su¬perficiais (rios, lagos, represas) ou subterrâneos
(água subterrânea). São alimentados pelas águas das chuvas e a sua formação depende da vegetação e do tipo de solo.
O desperdício e a poluição dos mananciais por resíduos industriais e lixo doméstico têm sido uma preocupação tanto para os países desenvolvidos co¬mo para os subdesenvolvidos.
Os habitantes das grandes cidades (principal¬mente dos países subdesenvolvidos) têm sido os mais prejudicados pelo mau uso dos recursos hídricos. Racionamento e reflexos preocupantes na área da saúde são consequências da displicência das autoridades e da ignorância e falta de educação da população.

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