sábado, 10 de abril de 2010

O Clima

1. Introdução
Clima, por definição, é a sucessão habitual dos tipos de tempo (MAX SORRE) e tempo é o estado momentâneo da atmosfera, uma conjunção momentânea dos elementos climáticos: temperatura, umidade e pressão. Esses elementos, por sua vez, são determinados pelos fatores climáticos: Latitude, Altitude, Massas de Ar, Continentalidade ou Maritimidade, Vegetação, Correntes Marítimas, Relevo e Ação humana.

2. Latitude
Quanto maior a latitude, menor a temperatura.
Devido à curvatura do globo terrestre, à medida que nos afastamos do equador, os raios solares incidem cada vez mais inclinados na superfície terrestre, tendo portanto que aquecer uma área maior, o que diminui a Temperatura.
Ainda, quanto maior a latitude, maior a camada atmosférica a ser atravessada pelos raios solares, o que aumenta a dificuldade desses raios atingirem a superfície (nuvens).

3. Altitude
Quanto maior a altitude, menor a temperatura.
A atmosfera é aquecida por radiação.
Ao incidirem na superfície, os raios solares a aquecem e ela passa a irradiar calor à atmosfera. Portanto, um raio solar que seja refletido ou que atravesse a atmosfera, sem incidir na superfície ou em alguma partícula em suspensão, não altera em
nada a temperatura.

Influência da Altitude nas Médias de Temperatura
Quanto maior a altitude, menos intensa é a radiação.
4. Massas de Ar
Para entender algumas das características dos tipos de clima no Brasil, interessam as seguintes massas de ar:
- Massa equatorial atlântica (mEa) - quente e úmida, domina a parte litorânea da Amazônia e do Nordeste. O centro de origem está próximo ao arquipélago dos Açores.
- Massa de ar equatorial continental (mEc) - também quente e úmida. Com centro de origem na parte ocidental da Amazônia, domina sua porção noroeste durante o ano inteiro.
- Massa tropical continental (mTc) - quente e seca, origina-se na depressão do Chaco Paraguaio.
- Massa polar atlântica (mPa) - fria e úmida, forma-se nas porções do Oceano Atlântico próximo à Patagônia. Atua de forma mais intensa no inverno, provocando chuvas e declínio da temperatura. A massa polar atlântica pode chegar até a Amazônia fazendo surgir o fenômeno da friagem.
- Massa tropical atlântica (mTa) - quente e úmida atinge grande parte do litoral brasileiro.
• Massa Equatorial Atlântica
• Massa Equatorial Continental
• Massa Tropical Atlântica
• D .Massa Tropical Continental
• Massa Tropical Atlântica
Com base nessas massas de ar que atuam no território brasileiro, podemos agora entender a classificação climática de Arthur Strahler
5. Classificação Climática Brasileira
A classificação climática de Arthur Strahler (1951) tem por base a influência das massas de ar em áreas diferenciadas. Ela não trabalha, portanto, com as médias de chuvas e temperaturas, mas com a explicação de sua dinâmica.
A classificação climática de Wilhelm Köppen, apesar de clássica e intensamente utilizada até pouco tempo, e ter representado um avanço em sua época (final do século XIX), é hoje bastante problemática, pois não leva em conta os deslocamentos das massas de ar.

Clima Equatorial Úmido
Médias térmicas elevadas (24° a 27° C) o ano todo, chuvas abundantes e bem distribuídas (1500 a 2500 mm/ano). Pequena amplitude térmica anual.

Clima Litorâneo Úmido
Estende-se do litoral do RN ao litoral de SP e apresenta apenas duas estações: verão chuvoso e inverno mais seco ( com exceção do litoral nordestino, onde chove mais no inverno - 1º Ramo de mPa x mTa).

Clima Tropical Alternadamente Úmido e Seco É o tropical típico com verão quente e úmido e inverno ameno e seco.
Clima Tropical Tendendo a Seco (pela irregularidade de ação de massas de ar, ou clima semi-árido)Encontrado no sertão Nordestino, apresenta baixo índice de chuvas, concentradas no verão (até 800 mm), quando a mEc atua na região.
Clima Subtropical Úmido
Encontrado ao sul do Trópico de Capricórnio, apresenta verão quente, inverno frio para os padrões brasileiros, e chuvas bem distribuídas por todos os meses do ano.

EFEITO ESTUFA
Relatório Aponta Soluções para Efeito Estufa
Muito alarido se tem feito ultimamente em torno do efeito estufa, ligando-o a calamidades atuais ou iminentes, como por exemplo grandes secas no hemisfério norte. A verdade, porém, é que esse efeito é um processo natural em nosso planeta e sem ele não estaríamos aqui.
O efeito estufa nada mais é que o resultado da irradiação de parte da radiação infravermelha pela troposfera (a parte da atmosfera em contato com a superfície terrestre) no sentido dessa superfície, que assim se mantém aquecida. Dessa irradiação participam vários gases, o mais importante dos quais é o dióxido de carbono. Outros gases são o vapor d’água, o metano, o clorofluocarbono, o óxido nitroso etc.
Não fosse tal efeito, nossa situação seria parecida com a da Lua, na qual a temperatura sobe a 100°C na superfície iluminada pelo Sol e vai a 150°C negativos à noite, com uma temperatura média de 18°C negativos.
Na terra, graças à atmosfera que a envolve, a temperatura superficial média é de 15°C e a camada gasosa, em consequência do equilíbrio da radiação que entra e sai, mantém o planeta 33°C mais quente do que seria sem ela.
"Não há dúvida", salienta R. Kerr, "que a Terra se acha na iminência de um aumento da temperatura global sem precedentes na história da civilização humana e é fato bem comprovado que tem havido um aquecimento secular que culminou na década de 80". Mas os cientistas têm se recusado a ligar esses extremos ao efeito estufa.
Em compensação, reconhecem que é preciso organizar um esforço internacional para prevenir as consequências do aumento do efeito estufa, que provavelmente se manifestarão nos tempos vindouros.
Essa preocupação com as conseqüências do aumento do efeito estufa, aliadas a certos eventos como a destruição de parte da camada de ozônio, justificou vários encontros internacionais que resultaram na elaboração do chamado "Relatório Bellagio" ("Science,", 241, 23). Este não incorpora nenhum dado essencialmente novo, mas apresenta de maneira nova as projeções do aquecimento do globo em decorrência do aumento do teor de dióxido de carbono e outros gases. Sabe-se que em 1957 a concentração básica do dióxido de carbono na atmosfera era de 315 partes por milhão (ppm) e é hoje de 350 ppm (0,035
por cento).

Previsões
As conseqüências do contínuo aumento de temperatura se manifestariam no aquecimento e expansão dos oceanos, que avançariam pelas costas adentro, podendo elevar o nível marítimo de 30 cm nos meados do próximo século, atingindo até um metro e meio. Sofreria a agricultura, especialmente a das regiões semi-áridas, e sofreriam ainda mais os sistemas ecológicos não administrados.

Incerteza Científica
Para enfrentar tal situação, que provavelmente sobrevirá no futuro, o relatório salienta duas respostas.
Uma consiste na adaptação à mudança do clima, por exemplo pela construção de muralhas contra a invasão das águas, ou abandono das áreas costeiras, medidas que em certas regiões já começam a ser tomadas.
Outra consiste na limitação das mudanças de clima pela redução da emissão dos gases responsáveis pelo aumento do efeito estufa.
Esta solução será inevitável por ser proibitivo o custo da política de adaptação.
Salienta o relatório que não nos devemos deixar imobilizar pelo conhecimento de que se trata de eventos distantes, ou esperar "até que a incerteza científica seja aceitavelmente pequena", protelando desse modo as ações acautelatórias. Este é o grande aviso contido no relatório, que ressalta que o tempo envolvido na efetivação das medidas é grande. A inércia térmica dos oceanos retarda de várias décadas o próprio aquecimento e as reações da sociedade levam uns 30 a 50 anos para concretizar-se.

Restrições
Como recomendações práticas imediatas, o relatório reclama rápida aprovação e implementação do protocolo firmado em Montreal a respeito da proteção da camada de ozônio. Já lembramos no outro artigo que a restrição do uso dos clorofluocarbonados, segundo o protocolo, acarretaria baixa de 15 a 25% na taxa de aquecimento.
Além de medidas imediatas, o relatório enumera as de longo prazo, com aumento da eficiência do consumo de energia, uso de energias alternativas como a solar e a nuclear, substituição do carvão pelo gás natural e reflorestamento. Propõe ainda um relatório mais estudo cientifico sobre o efeito estufa e consideração de direitos da atmosfera semelhante ao marítimo, além de convênios internacionais como o do ozônio.

Inversão Térmica
"Embora as condições normais por várias milhas (ou quilômetros) da atmosfera inferior mostrem um decréscimo da temperatura com o aumento da altitude, freqüentemente acontece que estas condições se vejam invertidas através de algumas camadas da atmosfera, de modo que as temperaturas temporária ou localmente aumentem com a altitude. Esta condição, na qual o ar mais frio está mais perto da Terra e o ar mais quente está acima, é chamada de "inversão "térmica".
Uma das formas mais comuns de inversão de temperatura é aquela que ocorre nas proximidades da superfície da Terra e se forma como um resultado do resfriamento por irradiação do ar inferior junto à superfície subjacente. Desde que a superfície terrestre é um corpo radiante mais efetivo do que a própria atmosfera, o resfriamento noturno é mais rápido no terreno do que na atmosfera. Como conseqüência, o ar mais frio pode ser encontrado próximo à superfície da Terra.
As condições ideais para tais inversões térmicas superficiais são:
a) noites longas como no inverno, de modo que haveria um período relativamente longo em que a saída de radiação terrestre superaria a entrada de radiação solar;
b) um céu claro ou com núvens muito altas, de modo que a perda de calor pela radiação terrestre seja rápida e não retardada;
c) ar relativamente seco, que absorve pouca radiação terrestre;
d) ligeiro movimento de ar, de modo que haja pouca mistura do ar, e a camada superficial, como conseqüência teria tempo, por condução ou radiação, de tornar-se excessivamente fria;
e) uma superfície coberta de neve, que, devido à reflexão da energia solar, aquece pouco durante o dia, e, sendo um pobre condutor de calor, retarda o fluxo ascendente de calor, do terreno para cima".
(Glen Trewartha) Fonte: Folha de São Paulo.

Nenhum comentário:

Postar um comentário