sábado, 10 de abril de 2010

Estruturas Geológicas e Rochas

Antes de conhecermos o relevo do Brasil é necessário uma breve análise de algumas noções de geologia e geomorfologia. Vamos repassar brevemente a formação e evolução do Planeta Terra, especialmente quanto aos eventos geológicos. Além disso vamos rever os tipos de rochas e estruturas geológicas.

Rochas
As rochas são agregados de minerais, de um ou vários tipos. Os minerais são compostos químicos, geralmente inorgânicos, com uma determinada composição química. Exemplos:
* Quartzo - SiO2
*Hematita - Fe2O3
* Calcita - CaCO3
*Calcopirita - CuFeS2
* Magnetita - Fe3O4
*Galena - PbS
Caso os minerais apresentem valor econômico e possam ser extraídos (encontrados
em jazidas comercialmente viáveis) serão chamados de minérios. Na Serra dos Carajás registram-se várias jazidas de minérios com elevada concentração: ferro, manganês, cobre...

Tipos de rochas:
Magmáticas : são aquelas que resultam do processo de solidificação do magma. Podem ser classificadas em Plutônicas ou Vulcânicas.

*Plutônicas ou Intrusivas : a solidificação do magma ocorre no interior do planeta em um processo lento de resfriamento o que permite a formação de cristais. Exemplos: granito, sienito e gabro.

*Vulcânicas ou Extrusivas : a solidificação do magma ocorre na superfície, após o extravasamento do magma. O processo de resfriamento é lento e não forma cristais.
Exemplos: basalto, diabásio e andesito.
Sedimentares : são resultantes da consolidação de sedimentos que se depositam em áreas rebaixadas. Esses sedimentos podem ser oriundos da destruição erosiva de qualquer tipo de rocha ou material originário de atividades biológicas.
Podem apresentar camadas que denunciam as várias fases de sedimentação. Exemplos: arenito, argilito e calcário.

Metamórficas : através da ação e das modificações nas condições de pressão e
temperatura, pode ocorrer uma reestruturação dos minerais que compõem as rochas dando origem ao que chamamos de rochas metamórficas, podendo ou não alterar sua
composição mineralógica. Exemplos: quartzito, mármore e gnaisse.

Estruturas Geológicas
Podemos identificar no mundo três estruturas geológicas que apresentamos abaixo.
As grandes estruturas geológicas do globo são resultantes da atuação de fatores endógenos (do interior da crosta) como o vulcanismo, abalos sísmicos ou terremotos e movimentos tectônicos:
dobramentos, que ocorrem por pressões laterais na crosta terrestre em rochas com plasticidade, e os falhamentos geológicos, por pressões verticais em rochas mais duras. Além disso a atuação de fatores exógenos (que atuam na superfície) como
os ventos, geleiras, chuvas, rios, contribuem para definir as formas do relevo. As rochas, uma vez expostas na superfície, são alteradas pelo intemperismo físico (variação térmica), intemperismo químico (atuação da água) e biológico (seres vivos). A camada de alteração superficial das rochas chama-se manto ou regolito e a evolução desse processo dá origem aos solos.

Conheça as estruturas geológicas:
Dobramentos modernos: no Período Terciário da Era Cenozóica, violentas pressões sobre a crosta terrestre dobraram rochas plásticas formando montanhas que, agrupadas, deram origem às cordilheiras.
Escudos cristalinos: muito antigos (Era Précambriana), formados por rochas cristalinas, formam a base rochosa dos continentes. São estruturas resistentes e estáveis que originam os núcleos cristalinos quando surgem na superfície.
Bacias sedimentares: áreas antigamente rebaixadas que foram preenchidas por
sedimentos. As Bacias mais antigas (Paleomesozóico) podem ter sido soerguidas e erodidas aparecendo em planaltos, enquanto as mais jovens (Cenozóico) formam planícies ou aparecem em depressões.

ERAS GEOLÓGICAS
Observe abaixo as Eras Geológicas e os principais eventos que nos interessam

QUATERNÁRIO – glaciações – surgimento do homem – sedimentação muito recente nos litorais e bacias hidrográficas
CENOZÓICA 60 milhões de anos
TERCIÁRIO – cadeias de montanhas – definição dos atuais continentes – bacias
sedimentares recentes
MESOZÓICA 220 milhões de anos
intenso vulcanismo – formação de rochas vulcânicas – grandes répteis e aves – bacias
sedimentares – migração dos continentes
PALEOZÓICA 600 milhões de anos
formação de rochas sedimentares – formação de jazidas de carvão com o soterramento de grandes florestas – bacias sedimentares mais antigas –vida marítima, anfíbia e terrestre – fragmentação de continentes
PROTEROZÓICA – 2 bilhões de anos formação de rochas metamórficas – primeiros
seres vivos (muito primitivos) – formação dos escudos cristalinos e jazidas de minerais metálicos
ARQUEOZÓICA – 5 bilhões de anos
início de formação do planeta – formação das primeirasrochas (magmáticas) – ausência de fósseis

Características gerais do relevo brasileiro:
O relevo brasileiro é de formação antiga em sua base (100% cristalina). Já foi muito
desgastado pela erosão, apresenta altitudes moderadas, não sofreu a atuação dos
dobramentos modernos, não apresenta vulcões ativos ou terremotos de grande intensidade. É estável e dominado por planaltos, planícies e depressões. Em sua superfície encontramos 60% de rochas sedimentares (importante porque podem apresentar ocorrência de combustíveis fósseis), 36% de rochas cristalinas, onde
encontramos jazidas de minérios (correspondendo a aproximadamente 4% de terrenos cristalinos do Proterozóico) e 4% de rochas vulcânicas, onde se destaca o solo terra-roxa, resultante da decomposição do basalto. Encontramos também
em nosso relevo as cuestas, chapadas, escarpas de planalto, inselbergs e pediplanos.
Planaltos - superfícies relativamente planas onde predomina o processo de erosão. São delimitados por escarpas freqüentemente chamadas de serras. Geralmente localizados acima de 200 m de altitude.
Planícies - superfícies aplainadas formadas por sedimentação e de baixa altitude (geralmente abaixo de 200 m de altitude) .
Depressões - formas de relevo mais baixas do que as regiões vizinhas. Podem ser absolutas, quando abaixo do nível do mar, ou relativas, quando acima do nível do mar.
Chapadas - forma planáltica de superfície aplainada (tabular) e encostas de declive
acentuado ou quase verticais.
Cuestas - relevo dissimétrico formado por diferentes camadas de rochas (basalto sobre
arenito) com uma porção frontal (front) côncava e inclinada e uma porção posterior (reverso) de declive suave. À sua frente podem aparecer morros testemunhos que indicam a posição da cuesta em tempos passados.
Pediplanos - superfícies muito aplainadas e muito erodidas típicas de regiões com clima de reduzida umidade.
Inselbergs - formas residuais que se destacam em meio aos pediplanos do sertão e que
resistiram à erosão devido à composição de suas rochas.
Montanhas - elevações do relevo resultantes de movimentos da crosta como os falhamentos em estruturas cristalinas (montanhas antigas) ou dobramentos (montanhas jovens). Um agrupamento de montanhas constitui uma serra que, se muito extensa e elevada, é chamada de cordilheira.
CUESTA (Observe o front e o reverso)
CHAPADA (topo aplainado, lados abruptos)
MAR DE MORROS (relevo ondulado)

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