sábado, 10 de abril de 2010

A Estrutura da Terra

Como já vimos anteriormente, durrante o processo de formação, a Terra recebeu em sua superfície uma "chu¬va" de meteoritos de vários tamanhos. Após a colisão com esses corpos celes¬tes, a temperatura do nosso planeta aumentou muito. Grande parte da Ter¬ra fundiu e houve uma acomodação diferenciada de seus componentes.
Os materiais mais pesados afun¬daram e formaram o núcleo; os mais leves ficaram próximos da superfície. Desse modo, o interior da Terra é for¬mado por camadas diferentes:
• a crosta, com materiais mais leves;
• o manto, camada intermediária;
• o núcleo, com materiais mais densos.

A crosta pode ser dividida em duas porções diferenciadas entre si: a crosta continental e a crosta oceânica.
A crosta continental é constituída de duas subcamadas:
• crosta continental superior, com 15 a 25 km de espessura, formada principalmente por silício e alumínio (S1AL);
• crosta continental inferior, com 30a 35 km de espessura; nela predominam silício e magnésio (SIMA). A crosta oceânica é formada:
• pela camada basílica, que tem de l a 4 km de espessura;
• e pela camada oceânica, que tem de 5 a 6 km de espessura.
A litosfera, com cerca de 70 km de espessura, compreende a crosta (continental e oceâni¬ca) e a parte do manto superior. É formada por placas rígidas e móveis, que chamamos de pla¬cas tectônicas.
Logo abaixo da litosfera está a astenosfera, camada onde o material está quase sob estado de fusão e sobre a qual deslizam as placas tectônicas (ver capítulo 6). Para baixo da astenosfera está a mesosfera, que é constituída por materiais de densidade média e abrange parte do manto superior e o manto inferior. A endosfera (núcleo externo e interno) é formada essencial¬mente por ferro e níquel.
As investigações geofísicas do interior da Terra, através da propagação de ondas sísmicas revelaram algumas alterações na velocidade dessas ondas que indicam diferenças químicas entre uma camada e outra, as chamadas descontinuidades. Assim, entre a litosfera e o manto h; a descontinuidade de Mohorovicic (Moho).
A descontinuidade de Cutemberg é o limite entre o man¬to inferior e o núcleo. Vivemos na superfície terrestre. Na litosfera realizamos todas as nossas atividades.
A hidrosfera (mares, rios, oceanos e lagos) e a atmosfera (camada gasosa), essenciais i vida humana, fazem parte dessa camada mais superficial onde se desenvolve a biosfera (cons¬tituída pela flora, pela fauna e pelo homem).
Entretanto, conhecer o interior do planeta é extremamente importante para entendei fenômenos que podem ser devastadores para a vida humana, como as erupções vulcânicas e os terremotos

A crosta e as rochas

A crosta é formada por rochas e minerais. As rochas podem ser definidas como agrupamentos de minerais, que por sua vez são compostos de elemen¬tos químicos. Por exemplo, o granito é uma rocha for¬mada por três minerais: quartzo, feldspato e mica. O quartzo é formado por silício, alumínio, cálcio, oxigé¬nio e outros elementos químicos.
Uma característica das rochas é encontrar-se em estado sólido, ainda que não sejam necessaria¬mente duras ou compactas. A areia, por exemplo, é um tipo de rocha.
Quanto à origem, as rochas podem ser classifi¬cadas em magmáticas, sedimentares e metamórficas.

Rochas magmáticas ou ígneas

Formaram-se pelo resfriamento e solidificação dos minerais da crosta terrestre que se encontravam fundidos, isto é, o magma. Como os minerais, ao pas¬sar do estado líquido para o sólido, tendem a formar cristais, estes são frequentes nas rochas magmáticas que são chamadas de cristalinas.
A solidificação do magma pode acontecer no in¬terior ou na superfície da Terra. Por esse motivo, as ro¬chas magmáticas podem ser intrusivas ou extrusivas.
Rochas intrusivas ou plutônicas. Formam-se quando o magma se resfria lentamente nas profun¬dezas da Terra, dando origem a cristais relativamente grandes. São exemplos de rochas intrusivas: o grani¬to e o diorito.
Rochas extrusivas ou vulcânicas. Formam-se pela solidificação do magma expelido pelas erupções vulcânicas. Como seu resfriamento e solidificação são muito rápidos, não há tempo para a formação de macro-cristais. O basalto e a obsídiana são ro¬chas magmáticas vulcânicas.

Rochas sedimentares

Formam-se a partir da compactação de sedi¬mentos. Estes por sua vez procedem da erosão, do transporte e da deposição de minerais - atividades realizadas pela água, pelo vento, por reaçòes quími¬cas, físicas e pela açào de seres vivos. As rochas sedimentares derivam-se, portanto, de rochas que sofrem a ação de processos erosivos.
São rochas sedi¬mentares: a areia, o calcário e o arenito. O carvão e o petróleo são encontrados em formações sedimen¬tares, como veremos adiante no capítulo 22, quando falaremos das fontes de energia.

Rochas metamórficas

O termo metamórficas vem de metamorfose, que significa transformação. As rochas metamórficas fo¬ram, originalmente, rochas magmáticas, sedimentares ou metamórficas que, pela ação do calor ou da pressão do interior da Terra, adquiriram outra estru¬tura. O gnaisse e o mármore são rochas metamórficas.

O ciclo das rochas

As rochas magmáticas, sedimentares e meta¬mórficas sofrem a influência do dinamismo dos fenômenos que alteram a crosta terrestre.
Erosão, metamorfismo, transporte e sedimen¬tação, bem como a cristalização do magma, são pro¬cessos que favorecem a transformação dessas rochas. Vejamos um exemplo:
Uma rocha magmática pode formar rochas sedimentares ou metamórficas. Rochas sedimentares e metamórficas também sofrem metamorfismo, formando no¬vas rochas que são empurradas para as camadas profundas da Terra, até fundirem-se novamente, constituindo parte do magma, que recomeça um novo ciclo.

Estrutura geológica

As rochas e os minerais não estão distribuídos de maneira uniforme pela superfície terrestre. Sua distribuição vai depender da ação das forças internas da Terra - o tectonismo -, no decorrer do tempo geológico.
Podemos chamar de estrutura geológica o conjunto de diferentes rochas de um lugar e os vários processos geológicos sofridos por elas e que dão aos terrenos desse lugar uma característica própria.
Temos três tipos básicos de estrutura geológi¬ca na crosta terrestre: escudos cristalinos, faixas orogênicas e bacias sedimentares.

Escudos cristalinos (núcleos cratônicos)

São rochas magmáticas e metamórficas muito antigas, das eras Pré-Cambriana e Paleozóica. Sofre¬ram forte processo erosivo, apresentando se desgas¬tadas e com baixas altitudes.Quando estão expostas à açào de agentes ero¬sivos, são chamadas escudos (cráton aflorado). Quan¬do estão recobertas por terrenos sedimentares, são denominadas embasamentos cristalinos (plataformas cobertas).
São exemplos de escudos: o das Guianas, o Bra¬sileiro, o Canadense, o Siberiano e o Guineano. Es¬sas áreas são ricas em recursos minerais, principal¬mente as formadas no período Proterozóico da Era Pré-Cambriana.

Bacias sedimentares

Com o passar das eras, os escudos cristalinos foram atacados por processos erosivos. Os sedimen¬tos assim produzidos e transportados pelo vento acu¬mularam-se em depressões existentes na superfície dos escudos (bacias).
Preenchidas pêlos sedimentos que formaram rochas sedimentares, essas áreas são chamadas ba¬cias sedimentares. Temos bacias originárias das eras Paleozóica, Mesozóica e Cenozóica.
Os combustíveis fósseis - carvão e petróleo -são encontrados nesse tipo de estrutura geológica.
No Brasil, temos como exemplos de bacias se¬dimentares a bacia Amazônica, a do Meio-Norte, a Sanfranciscana e a do Pantanal, faixas orogênicas ou dobramentos (antigos e recentes)
A crosta terrestre sofreu, ao longo da história da Terra, movimentos produzidos por forças inter¬nas, que deram origem a cadeias de montanhas.
Podemos diferenciá-los pela antiguidade de formação, ou seja, pela era geológica em que ocor¬reram:
Dobramentos antigos. Alguns datam do Pré-Cambriano, como, por exemplo, o movimento laurenciano, que ocorreu no fim do Arqueozóico e deu origem às serras do Mar e da Mantiqueira, no Brasil. A denominação laurenciano derivou dê rio São Lourenço, região canadense onde foram feitos os primeiros estudos a respeito desse movi¬mento.
No Proterozóico, o movimento huroniano (pesquisado pela primeira vez no lago Huron, Canadá) deu origem à chapada Diamantina, na Bahia, e à serra do Espinhaço, em Minas Gerais. Na Era Paleozóica, ocorreram outros enrugamentos da crosta terrestre:
O movimento caledoniano, ocorrido nos períodos Siluriano e Ordoviciano, formou as montanhas Caledônícas (Escócia), os Alpes Escandinavos (Noruega e Suécia) e as serras de Paranapiacaba (Paraná) e Pireneus (Goiás).
» O movimento herciniano, cujo nome vem de Bosques Hercínios - região alemã localizada na Floresta Negra e afetada por esse movimento no período Carbonífero.
Dobramentos modernos. Ocorreram na Era Terciária e deram origem às mais altas
cadeias de montanhas da Terra: Himalaia, Alpes, Pireneus, Andes e Rochosas.

7 comentários:

  1. obrigado ajudou muito mesmo mais qual a diferença entre cratons aflorados dos embasamentos cristalinos

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  2. muito bom mesmo o material. Serve como excelente base para conhecimento.

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  3. Este comentário foi removido pelo autor.

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  4. Eu só achei que a parte das faixas móveis (ou orogênicas)não ficou clara... elas só ocorrem em locais de contato das placas ou também podem existir em qualquer lugar destas? Mesmo que a maior parte deve estar nas bordas, mas há exceção? Ainda estou com algumas dúvidas. Apesar disso, o restante das explicações estão ótimas =D

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  5. Isso é excelente! Ajudou muito.. Tudo que precisei encontrei aqui. Muito obrigada por compartilhar seu conhecimento conosco. Grande abraço!

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