sábado, 10 de abril de 2010

A Dinâmica Interna do Relevo

Vulcões em erupção, bem como tremores de terra, são ocorrências que podem causar muitos prejuízos, mortes e destruição. Por isso, o estudo desses fenômenos é extremamente importante para a humanidade.
Conhecendo o assunto, é possível evitar danos maiores. Podem-se prevenir catástrofes com medidas de emergência e a retirada de populações das áreas de risco.
Geralmente, podemos notar que vulcões e terremotos são muito frequentes em certas faixas da Terra, em regiões que denominamos Círculo de Fogo.
Isso acontece porque, como vimos no capítulo 6, a crosta terrestre é formada por vários "pedaços" (placas) que se movimentam sobre uma camada viscosa, alguns centímetros por ano.
Os movimentos das placas são responsáveis pêlos agentes modificadores do relevo, originados no interior da Terra. A maior parte da atividade tectônica (deformação das rochas por forças internas) ocorre no limite das placas, isto é, no ponto onde elas interagem (ver capítulo 6).
Entre os agentes internos do relevo (formadores e modificadores), podemos citar: o tectonismo, o vulcanismo e os abalos sísmicos (terremotos). Todos eles estão ligados, de alguma maneira, ao movimento das placas tectônicas, causado pelo calor e peia pressão do interior da Terra.

Tectonismo

O tectonismo ou diastrofismo compreende to¬dos os movimentos que deslocam e deformam as ro¬chas que constituem a crosta terrestre. Corno disse¬mos, esses movimentos são causados por forças que vêm do interior da Terra e agem lenta e prolongada-mente na crosta.
O diastrofismo se manifesta por movimentos verticais (epirogênicos - do grego épeiros = conti¬nente) e movimentos horizontais (orogênícos - do grego ôros = montanha).

Movimentos epirogênicos.

São movimentos verticais que provocam abai¬xamento ou soerguimento da crosta terrestre. Reali¬zam-se muito lentamente e são consequência da isostasia.
A epirogênese pode provocar o rebaixamento de litorais pelas invasões do mar (transgressões mari¬nhas), como no mar do Norte, e o levantamento da costa pelo recuo dos oceanos (regressão marinha), como na Escandinávia. Pode também soerguer ou rebaixar os leitos dos rios, modificando o seu trabalho erosivo. A epirogênese ocorre em áreas geologica¬mente mais estáveis.

Movimentos orogênicos

A orogênese ou "formação de montanhas" é re¬sultado de pressões horizontais ou verticais do inte¬rior da Terra. São movimentos de pequena duração no tempo geológico, mas muito intensos.
Como resultado desses movimentos, temos as dobras (dobramentos) e as falhas (falhamentos) ou fraturas. Se as rochas atingidas não oferecem grande resistência às forças internas, formam-se dobras.
As dobras, portanto, são o resultado de forte compressão de rochas não resistentes às forças in¬ternas. Os dobramentos ocorreram em diferentes ocasiões do tempo geológico (eras Pré-Cambríana e Cenozóica). As dobras acontecem devido a fortes pressões exercidas em terrenos pouco resistentes e plásticos.

ISOSTASIA

A crosta continental [menos densa] flutua sobre o manto e nele se aprofunda como um iceberg no oceano. Nos locais onde o manto é mais espesso, o mergulho da crosta continental é maior. Logo, os blo¬cos mais altos são os que mais afundam, compensan¬do sua altura.
O volume submerso é menos denso que o volume de água deslocado.
O Princípio da Isostasia diz que o volume relativa¬mente menos denso da crosta continental, em relação ao manto, permite que altas montanhas se equilibrem, do mesmo modo que o volume submerso do iceberg, mais leve do que o volume de água deslocado, permite que o iceberg flutue.
As falhas ou fraturas formam-se em áreas onde as rochas são rígidas e resistentes às forças internas e "quebram-se" em vez de dobrar. (Experimente pres¬sionar um pedaço de plástico maleável e outro mais resistente. O primeiro se dobrará facilmente, porém o segundo deverá se romper quando a pressão for mais forte.) Caracterizam-se por um desnível de ter¬renos: uma parte elevada e outra rebaixada.
Como já mencionamos, além da epirogênese e da orogênese, outros movimentos internos, bem mais rápidos e também ligados aos limites das placas tectônicas, podem interferir no relevo terrestre. São as erupções vulcânicas e os abalos sísmicos (terremotos).

Vulcanismo

Chamamos de vulcanismo os fatos e fenôme¬nos geográficos relacionados com as atividades vul¬cânicas, através dos quais o magma do interior da Terra chega até a superfície.
A manifestação típica do vulcanismo é o cone vulcânico e o amontoado de pó, cinzas e lavas forma¬do pelas erupções.
O cone vulcânico, a chaminé, a cratera e a câma¬ra magmática são as partes principais de um vulcão.
Um vulcão expele uma grande variedade de materiais: magma (lava), gases,
Material piroclástico (fragmentos de vários tamanhos — desde partículas de poeira até blocos), cinzas e pó.
Existem manifestações vulcânicas secundá¬rias, como os gêiseres e as fontes termais.
Os gêiseres expelem água quente no sentido vertical. Seus jatos podem durar segundos ou se¬manas e atingir muitos metros de altura. Seu fun¬cionamento depende da quantidade e da tempe¬ratura da água subterrânea. Quando a temperatura da água se torna muito elevada, formam-se jatos de água no sentido vertical, A água expelida do interior da Terra se infiltra lateralmente no solo, é nova¬mente aquecida e recomeça o ci¬clo das águas quentes.
O balneário de Rotorua, na Nova Zelândia, exibe o fenô¬meno vulcânico sob a forma de gases e gêiseres, nos jardins das casas, no meio dos campos e das pastagens, tendo se tornado uma região turística.
Em alguns lugares, a água atinge camadas mais profundas, tornando-se aquecida. Quando aflora, com temperaturas eleva¬das, constitui uma fonte termal. No Brasil, são famosas as fontes termais de Araxá e Poços de Caldas, em Minas Gerais, e a de Goiás.

O Círculo de fogo

A maior parte dos vulcões se localiza ao longo ou próximo do limite das placas tectônicas. São os chamados vulcões de li¬mite de placas. Porém, alguns deles localizam-se no interior de uma placa tectônica, sendo por isso denominados vulcões intra-placas, cujo exemplo mais conhecido é o arquipélago havaiano, situado no inte¬rior da placa do Pacífico.

Os vulcões de limite de placas ali¬nham-se no "encontro" das placas tectônicas, no chamado Círculo de Fogo, que se estende pêlos oceanos Pacífico e Atlântico e pelo mar Mediterrâneo. Te¬mos vulcões tanto nos limites de diver¬gência, como nos limites de convergência das placas tectônicas.
Em limites de divergência, geral¬mente no fundo do mar, ocorrem quase 80% das manifestações vulcânicas da Terra. O movimento do manto afasta as placas, e o magma preenche o espaço que se forma entre elas.
Na cadeia Meso-Atlântica temos uma sequência de vulcões entre as placas Sul-Americana e Africana. Na Islândia, onde a dorsal Atlântica está a céu aberto, a atividade vulcânica é visível e mais in¬tensa que a submarina.
Nas zonas de convergência (subducção), tam¬bém ocorrem ilhas vulcânicas, que podem se apre¬sentar em forma de arco vulcânico, como o Japão, a Indonésia, as Filipinas e as Maríanas. Os vulcões dos Andes formaram-se na zona de subducção das placas de Nazca (oceânica) e Sul-Americana (continental).

Abalos sísmicos

Uma das manifestações mais temi¬das e destruidoras dos movimentos da crosta terrestre são os terremotos ou aba¬los sísmicos.
Quando as forças tectônicas atuam prolongadamente em áreas de rochas du¬ras, elas provocam fraturas ou o desloca¬mento de camadas. Se uma das camadas se mover horizontal ou verticalmente, serão produzidas ondas vibratórias que se espa¬lham em várias direções, causando um ter¬remoto. Portanto, o terremoto é produzido pela ruptura das rochas provocada por acomodações geológicas de camadas in¬ternas da crosta ou movimentação das placas tectônicas.
Em limites transformantes, onde não há con¬vergência nem divergência de placas (ver capítulo 6), é comum ocorrerem terremotos. Podemos citar co¬mo exemplos desse tipo de limite a falha de San Andreas, na Califórnia, Estados Unidos e a falha da Anatólia, causa do terre¬moto ocorrido em 1999 na Turquia
O ponto onde o terremoto se origina recebe o nome de centro ou foco.
O ponto da superfície terrestre diretamente acima do centro é o epicentro, onde o terremoto é sentido com maior intensidade.
O aparelho usado para medir a intensidade de um terremoto é o sismógrafo, que segue a escala Richter - uma escala com l graus, cada um indicando uma intensidade 10 vezes maior que o anterior.

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