quarta-feira, 24 de abril de 2013

Os maiores da hidrografia mundial


Hidrografia do Mundo

As maiores bacias hidrográficas

As maiores bacias hidrográficas do mundo são as seguintes - Nome, localização e área (km²):
  • Bacia Amazônica, Brasil, 7.050.000
  • Bacia do Congo, Zaire, 3.690.000
  • Bacia do Mississippi, EUA, 3.328.000
  • Bacia do Rio da Prata, Brasil, 3.140.000
  • Bacia do Obi, Federação Russa, 2.975.000
  • Bacia do Nilo, Egito, 2.867.000
  • Bacia do Ienissêi, Federação Russa, 2.580.000
  • Bacia do Níger, Nigéria, 2.092.000
  • Bacia de Amur, Federação Russa, 1.855.000
  • Bacia do Rio Amarelo, China, 1.807.199

Os maiores oceanos

Os maiores oceanos do mundo são os seguintes - Nome, área (km²) e profundidade máxima (m):

Os maiores rios

A seguir, os maiores rios do mundo - Nome, localização, extensão (km) e Foz
  • Amazonas, Brasil, 6.868, Oceano Atlântico
  • Nilo, Egito, 6.671, Mar Mediterrâneo
  • Xi-Jiang, China, 5.800, Mar da China
  • Mississippi-Missouri, EUA, 5.620, Golfo do México
  • Obi, Federação Russa, 5.410, Golfo de Obi
  • Ártico Huang Ho, China, 4.845, Mar Amarelo
  • Rio da Prata, Argentina, 4.700, Oceano Atlântico
  • Mekong, China, 4.500, Mar da China
  • Amur, Federação Russa, 4.416, Estreito da Tartária
  • Lená, Federação Russa, 4.400, Mar de Laptev/Ártico
Fonte: Atlante Geografico di Agostini

Os maiores lagos

Na seqüência, os maiores lagos do mundo - Nome, localização, área (km²) e profundidade máxima (m):
  • Mar Cáspio, Oeste da Ásia, 371.000, 1.025
  • Lago Superior, EUA/Canadá, 84.131, 406
  • Vitória, Uganda/Tanzânia/Quênia, 68.100, 73
  • Huron, EUA/Canadá, 61.797, 229
  • Michigan, EUA, 58.016, 281
  • Mar de Aral, Cazaquistão/Uzbequistão, 41.000, 68
  • Tanganica, Congo (ex-Zaire)/Zâmbia/Burundi/Tanzânia, 32.893, 1435
  • Grande Urso, Canadá, 31.792, 90
  • Baikal, Federação Russa, 31.500, 1.620
  • Malauí (Niassa), Zimbábue/Malauí/Moçambique, 30.800, 678


Fonte: Wikipédia    

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

A Terra se mexe o tempo todo

Os blocos rochosos que formam a camada sólida do planeta estão sempre em movimento, causando tremores e a deriva continental.
No romance A Jangada de Pedra, o escritor português José Saramago relata como a península Ibéri¬ca teria se soltado do continente europeu e saído flutuando oceano Atlântico afora. Na obra, de 1986, a imagem da península servia de metáfora à exclusão cultural, política e econômica que Portugal e Es¬panha viviam no processo de unificação da Europa, que avançava a passos largos àquela época. Fisicamente, a península não pode se separar da Europa - ao me¬nos por ora, enquanto tudo faz parte de um imenso bloco de rocha sólida, a placa tectônica que abriga a Europa e a maior parte da Ásia. Mas a idéia de Saramago se apóia em um fato geológico: pedaços de continentes, como a índia, um dia foram ilhas no oceano; outras partes poderão se separar no futuro. Isso porque as placas tectônicas estão em lento e constante movimento, que as une, quebra e trans¬forma. Essa deriva é responsável pela criação dos continentes e de grandes cordilheiras, pelo relevo do fundo dos oceanos e pelos terremotos.
Vários povos vivem o tempo todo o sobressalto dos abalos sísmicos (outro nome para terremotos), às vezes de ma¬neira muito violenta. Em 12 de maio últi¬mo, a província de Sichuan, no sudeste da China, sofreu um dos maiores terremotos de sua história. O tremor, que atingiu 8 pontos na escala Richter, destruiu casas, escolas e edifícios comerciais, soterrando dezenas de milhares de pessoas. Terre¬motos dessa intensidade liberam energia equivalente à de 50 mil bombas atômicas como a que arrasou Nagasaki, no fim da II Guerra Mundial. O tremor de Sichuan foi seguido por diversos abalos secundá¬rios, alguns bastante violentos também, que ainda ameaçavam os habitantes da região, quase dois meses depois do grande desastre, com o deslizamento de terra e o rompimento de represas. Em meados de junho, as autoridades chinesas conta¬bilizavam mais de 70 mil mortos e quase 15 mil desaparecidos.
Sichuan sofre regularmente tremores que vão além dos 7 pontos na escala Richter. E que, diversamente do que acontece com os raios - que se diz que jamais caem duas vezes num mesmo lugar -, os terremotos se repetem re¬gularmente nas bordas das placas tectô¬nicas. E o sudoeste da China fica numa perto das bordas das placas Indiana e Euroasiática. Como essa região, diversas outras - como as do Chile, do México e da Grécia - apresentam, em geral, tremores, alguns muito violentos.

Placas em movimento

Placas tectônicas são gigantescos blocos que integram a camada sólida externa da Terra, ou seja, a litosfera, constituída da crosta mais a parte superior do manto. É como se a parte mais externa do planeta fosse uma casca de ovo quebrada. Tudo parece firme, mas, por baixo das rochas, a camada inferior do manto, apesar de também ser sólida, está sob imensa pressão e a altís¬simas temperaturas. Nessas condições, o material adquire plasticidade e move-se muito lentamente, em correntes de convecção - o sobe-e-desce da matéria, como ocorre na água fervente. Impulsionadas por esse movimento, as placas "navegam". Em alguns pontos, chocam-se (placas con¬vergentes). Em outros, afastam-se, abrindo grandes fendas (placas divergentes). Há pontos do planeta, ainda, em que duas placas deslizam uma do lado da outra, criando as falhas transformantes A pressão entre duas placas acumula grande quantidade de energia que, de tempo em tempo, é liberada na forma de terremoto. A escala Richter, normalmente citada como referência para a intensida¬de de um tremor, define, na realidade, a energia liberada pelo abalo com base na amplitude das ondas sísmicas captadas pelos sismógrafos. E o que se chama mag¬nitude. A escala é logarítmica - ou seja, a cada ponto, a amplitude das ondas varia dez vezes e a energia liberada sobe 31,6 vezes. Assim, enquanto um terremoto de magnitude 5 libera energia equivalente a 32 mil toneladas de dinamite, outro, de magnitude 6, libera o equivalente a l milhão de toneladas de explosivos. É claro que, quanto maior a energia liberada, mais violento será o tremor. No entanto, nem todo terremoto de grande magnitude causa grandes danos. Os efeitos de um abalo sobre determinada região depen¬dem de vários fatores, como o tipo de solo, a profundidade do foco do tremor, a distância a que se está do epicentro (o ponto da superfície exatamente acima do foco subterrâneo de liberação de energia) e a qualidade das construções.

A dança dos continentes

Ainda conhecemos pouco da natureza do interior do planeta. A geofísica e a geologia tiveram seus maiores avanços somente a partir do século XX. A idéia de que os continentes se movem no de¬correr do tempo é antiga. Ainda no sé¬culo XVII, diversos naturalistas notaram que o contorno dos continentes parecia se encaixar, como peças de um imenso quebra cabeça. No século XIX, a des¬coberta de fósseis de animais idênticos em continentes separados por milhares de quilômetros de mar aparentemente só tinha uma de duas explicações: ou os continentes constituíram, centenas de milhões de anos atrás, um único super-continente ou todos os continentes já surgiram na conformação atual e pos¬suiriam pontes naturais entre si.
A primeira hipótese venceu. Em 1912, o meteorologista alemão Alfred Wegener (1880-1930) formalizou a tese mais completa da deriva continental. Wegener afirmou que o super-continente primor¬dial (Pangéia) teria se quebrado em vários blocos menores, que, à deriva, teriam se espalhado pelo globo. Mas não explicou satisfatoriamente as forças físicas envolvidas nessa "navegação às cegas".
Até que, no início da década de 1960, novos avanços das ciências - como a des¬coberta de terrenos recentes no fundo dos oceanos - levaram ao desenvolvimento da teoria da tectônica de placas. A idéia é que não apenas os continentes se movem, mas toda a crosta do planeta - incluindo o fundo dos oceanos - recortada em 12 grandes placas e outras 20, menores, que estão em constante movimento e renova¬ção. Enquanto algumas partes sobem à superfície da Terra, outras mergulham de volta ao manto, através de fendas - tudo impulsionado pelo movimento do manto inferior. Assim, a superfície terrestre está em constante renovação por meio de ma¬terial vindo de dentro da Terra.
Terremotos no Brasil

O avanço da tecnologia - que leva a métodos de detecção e medição cada vez mais apu-rados - continua derrubando mitos. Um deles é aquele que diz que o Brasil está livre de aba-los sísmicos. Nada mais falso. Apesar de estar no centro aparentemente seguro da placa Sul-Americana, o território brasileiro é cortado por dezenas de falhas, sempre sujeitas a tremores. São elas que provocam os sismos na Região Nordeste. São elas, também, a provável causa do abalo que, em dezembro de 2007, derrubou 76 casas no município mineiro de Caraibas e matou uma criança - a primeira vítima brasileira de um terremoto. O tremor não foi dos maiores - atingiu magnitude pouco maior que 4,9 segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Especiais (INPE) -, mas a precariedade das construções não resistiu ao sacolejo.
O Brasil recebe, também, os reflexos de tremores que ocorrem nas bordas da placa Sul-Americana, principalmente do lado do oceano Pacífico. A placa de Nazca, que causa a elevação da cordilheira do Andes e cria os terremotos na região, mergulha sob a placa Sul-Americana bem abaixo do Acre - o que explica os tre¬mores ali. Eles só não causam danos maiores porque o foco é muito profundo, até 600 quilô¬metros abaixo da superfície. Mesmo regiões nas áreas mais centrais da placa não estão livres de tremores. Na noite de 22 de abril de 2008, a população do litoral e da capital paulista e de outros estados das regiões Sul e Sudeste saltaram das poltronas com um inusitado abalo. O chão tremeu por menos de cinco segundos, mas o abalo não causou mais do que susto e algumas rachaduras em poucas casas. O epicentro estava a mais de 200 quilômetros da costa brasileira e o foco do tremor, a 10 quilômetros de profundidade, na borda leste da placa Sul-Americana, no oceano Atlântico. Os geólogos não sabem o que causou o sismo de São Vicente (referência à cidade litorânea paulista). O que eles sabem é que, por mais rígidas que pare¬çam, as placas são instáveis e suscetíveis a movimentos inesperados.

11 GRANDES TERREMOTOS NO MUNDO

Por ordem de grandeza, segundo os pontos da escala Richter
9,5 -1960 Chile l Mais de l, 6 mil mortos, 3 mil feridos, 2 milhões de desabrigados. O tsunami gerado pelo abalo matou também no Havaí, no Japão e nas Filipinas
9,3 - 1964 Golfo do Alasca | O tsunami matou 113 pessoas e o terremoto, 15, em várias cidades do Alasca
9,1 - 2004 Costa de Sumatra, Indonésia l Causou o maior número de mortos por um tsunami: 160 mil no Sudeste asiático è na África Oriental. As ondas atravessaram o Pacífico e o Atlântico
9,0 - 1952 Península de Kamchatka, Federação Russa l Tsunamis cruzaram o oceano Pacífico e atingiram.o Havaí. Não há registro oficial de mortes
9,0 – 2011 – Japão - O terremoto abalou prédios em Tóquio e fez com que as autoridades emitissem um alerta sobre tsunamis, há registro de que um tsunami de 10 metros de altura arrasou a costa, noroeste do país, deslocou o país quatro metros para o leste
8,8 - 1906 Costa do Equador - O tsunami matou entre 500 e l, 5 mil pessoas no Equador e na Colômbia e atingiu o Havaí, o Japão e a costa sudoeste dos Estados Unidos
8,7 - 1965 Ilhas Rat, Alasca l Apesar da intensidade, provocou apenas rachaduras em ruas e casas. Algumas ilhas foram atingidas por ondas de mais de 10 metros de altura
8,6 - 2005 Sumatra, Indonésia 11,3 mil mortos e cerca de 400 feridos em Sumatra e no Sri Lanka
8,6 - 1950 Nordeste da índia, Tibete l A maior parte das vítimas estava no Tibete: 780 mortos pelos abalos e deslizamentos
8,6 - 1957 Ilhas Aleutas, Alasca l Destruiu casas e rodovias. Vulcões entraram em erupção. Apesar dos tsunamis de 15 metros de altura, não há registro de vítimas
8,5 - 2007 Sumatra. Indonésia l 25 mortos. 160 feridos. 52 mil edifícios destruídos ou comprometidos

Para saber mais leia: Atualidades vestibulares 2009 – Ed. Abril

sábado, 10 de abril de 2010

Placas Tectônicas

Tectônica de placas (do grego τεκτονικός relativo à construção) é uma teoria da geologia, desenvolvida para explicar o fenômeno da deriva continental, sendo a teoria atualmente com maior aceitação entre os cientistas que trabalham nesta área. Na teoria da tectônica de placas a parte mais exterior da Terra está composta de duas camadas: a litosfera, que inclui a crosta e a zona solidificada na parte mais externa do manto. Numa escala temporal de milhões de anos, o manto parece comportar-se como um líquido super-aquecido e extremamente viscoso, mas em resposta a forças repentinas, como os terremotos, comporta-se como um sólido rígido.
A teoria da tectônica de placas surgiu a partir da observação de dois fenômenos geológicos distintos: a deriva continental, identificada no início do século XX e a expansão dos fundos oceânicos, detectada pela primeira vez na década de 1960. A teoria propriamente dita foi desenvolvida no final dos anos 60 e desde então tem sido universalmente aceite pelos cientistas, tendo revolucionado as Ciências da Terra (comparável no seu alcance com o desenvolvimento da tabela periódica na Química, a descoberta do código genético na Biologia ou à mecânica quântica na Física).
A divisão do interior da Terra em litosfera e astenosfera baseia-se nas suas diferenças mecânicas. A litosfera é mais fria e rígida, enquanto que a astenosfera é mais quente e mecanicamente mais fraca. Esta divisão não deve ser confundida com a subdivisão química da Terra, do interior para a superfície, em: núcleo, manto e crosta.
O princípio chave da tectônica de placas é a existência de uma litosfera constituída por placas tectônicas separadas e distintas, que flutuam sobre a astenosfera. A relativa fluidez da astenosfera permite que as placas tectônicas se movimentem em diferentes direções.

Abaixo listam-se as principais placas tectônicas, existindo ainda várias numerosas placas menores.
Placa Africana
Placa da Antártida
Placa Euroasiática
Placa Norte-americana
Placa Sul-americana
Placa do Pacífico
Placa Australiana

As placas contatam umas com as outras ao longo dos limites de placa, estando estes comummente associados a eventos geológicos como terremotos e a criação de elementos topográficos como cadeias montanhosas, vulcões e fossas oceânicas. A maioria dos vulcões ativos do mundo situa-se ao longo dos limites de placas, sendo a zona do Círculo de Fogo do Pacífico a mais conhecida e ativa. Estes limites são apresentados em detalhe mais adiante.As placas tectônicas podem incluir crosta continental ou crosta oceânica, sendo que, tipicamente, uma placa contém os dois tipos.
O movimento lateral esquerdo ou direito entre duas placas ao longo de uma falha transformante pode produzir efeitos facilmente observáveis à superfície. Devido à fricção, as placas não podem pura e simplesmente deslizar uma pela outra. Em vez disso, a tensão acumula-se em ambas placas e quando atinge um nível tal, em qualquer um dos lados da falha, que excede a força de atrito entre as placas, a energia potencial acumulada é libertada sob a forma de movimento ao longo da falha. As quantidades maciças de energia libertadas neste processo são causa de terremotos. Um bom exemplo deste tipo de limite de placas é o complexo da falha de Santo André, localizado na costa oeste da América do Norte o qual faz parte de um complexo sistema de falhas desta região. Neste local, as placas do Pacífico e norte-americana movem-se relativamente uma à outra, com a placa do Pacífico a mover-se na direção noroeste relativamente à América do Norte. Dentro

Onde a colisão se dá entre duas placas continentais, ou elas se fragmentam e se comprimem mutuamente ou uma mergulha sob a outra ou (potencialmente) sobrepõe-se à outra. O efeito mais dramático deste tipo de limite pode ser visto na margem norte da placa Indiana. Parte desta placa está a ser empurrada por baixo da placa Euroasiática, provocando o levantamento desta última, tendo já dado origem à formação dos Himalaias e do planalto do Tibete. Causou ainda a deformação de partes do continente asiático a este e oeste da zona de colisão.
Quando há convergência de duas placa de crosta oceânica, tipicamente ocorre a formação de um arco insular, à medida que uma placa mergulha sob a outra. O arco é formado a partir de vulcões que eruptam através da placa sobrejacente à medida que se dá a fusão da placa mergulhante. A forma de arco aparece devido à esfericidade da superfície terrestre. Ocorre ainda a formação de uma profunda fossa submarina em frente a estes arcos, na zona em que o bloco descendente se inclina para baixo. Bons exemplos deste tipo de convergência de placas são as ilhas do Japão e as Ilhas Aleutas, no Alasca.

Super continentes

Ao longo do tempo o movimento das placas tem causado a formação e separação de continentes, incluindo a formação ocasional de um super continente contendo todos ou quase todos os continentes. O super continente Rodínia terá sido formado há cerca de 1000 milhões de anos contendo todos ou quase todos os continentes da Terra, tendo-se fragmentado em oito continentes há cerca de 600 milhões de anos. Posteriormente, estes oito continentes voltaram a formar um outro super-continente chamado Pangea. Este super-continente acabaria por dividir-se em dois, Laurasia (que daria origem à América do Norte e Eurásia) e Gondwana (que daria origem aos restantes continentes atuais).

Deriva continental

A deriva continental foi uma das muitas idéias sobre tectônica propostas no final do século XIX e princípios do século XX. Esta teoria foi substituída pela tectônica de placas e os seus conceitos e dados igualmente incorporados nesta.
Em 1915 Alfred Wegener foi o primeiro a produzir argumentos sérios sobre esta idéia. Nesta obra ele salientava que a costa oriental da América do Sul e a costa ocidental de África pareciam ter estado unidas antes. No entanto, Wegener não foi o primeiro a fazer esta sugestão, mas sim o primeiro a reunir significativas evidências fosseis, paleo-topográficas e climatológicas que sustentavam esta simples observação. Porém, as suas idéias não foram levadas a sério por muitos geólogos, que realçavam o fato de não existir um mecanismo que parecesse ser capaz de causar a deriva continental. Mais concretamente, eles não entendiam como poderiam as rochas continentais cortar através das rochas mais densas da crusta oceânica.

A Estrutura da Terra

Como já vimos anteriormente, durrante o processo de formação, a Terra recebeu em sua superfície uma "chu¬va" de meteoritos de vários tamanhos. Após a colisão com esses corpos celes¬tes, a temperatura do nosso planeta aumentou muito. Grande parte da Ter¬ra fundiu e houve uma acomodação diferenciada de seus componentes.
Os materiais mais pesados afun¬daram e formaram o núcleo; os mais leves ficaram próximos da superfície. Desse modo, o interior da Terra é for¬mado por camadas diferentes:
• a crosta, com materiais mais leves;
• o manto, camada intermediária;
• o núcleo, com materiais mais densos.

A crosta pode ser dividida em duas porções diferenciadas entre si: a crosta continental e a crosta oceânica.
A crosta continental é constituída de duas subcamadas:
• crosta continental superior, com 15 a 25 km de espessura, formada principalmente por silício e alumínio (S1AL);
• crosta continental inferior, com 30a 35 km de espessura; nela predominam silício e magnésio (SIMA). A crosta oceânica é formada:
• pela camada basílica, que tem de l a 4 km de espessura;
• e pela camada oceânica, que tem de 5 a 6 km de espessura.
A litosfera, com cerca de 70 km de espessura, compreende a crosta (continental e oceâni¬ca) e a parte do manto superior. É formada por placas rígidas e móveis, que chamamos de pla¬cas tectônicas.
Logo abaixo da litosfera está a astenosfera, camada onde o material está quase sob estado de fusão e sobre a qual deslizam as placas tectônicas (ver capítulo 6). Para baixo da astenosfera está a mesosfera, que é constituída por materiais de densidade média e abrange parte do manto superior e o manto inferior. A endosfera (núcleo externo e interno) é formada essencial¬mente por ferro e níquel.
As investigações geofísicas do interior da Terra, através da propagação de ondas sísmicas revelaram algumas alterações na velocidade dessas ondas que indicam diferenças químicas entre uma camada e outra, as chamadas descontinuidades. Assim, entre a litosfera e o manto h; a descontinuidade de Mohorovicic (Moho).
A descontinuidade de Cutemberg é o limite entre o man¬to inferior e o núcleo. Vivemos na superfície terrestre. Na litosfera realizamos todas as nossas atividades.
A hidrosfera (mares, rios, oceanos e lagos) e a atmosfera (camada gasosa), essenciais i vida humana, fazem parte dessa camada mais superficial onde se desenvolve a biosfera (cons¬tituída pela flora, pela fauna e pelo homem).
Entretanto, conhecer o interior do planeta é extremamente importante para entendei fenômenos que podem ser devastadores para a vida humana, como as erupções vulcânicas e os terremotos

A crosta e as rochas

A crosta é formada por rochas e minerais. As rochas podem ser definidas como agrupamentos de minerais, que por sua vez são compostos de elemen¬tos químicos. Por exemplo, o granito é uma rocha for¬mada por três minerais: quartzo, feldspato e mica. O quartzo é formado por silício, alumínio, cálcio, oxigé¬nio e outros elementos químicos.
Uma característica das rochas é encontrar-se em estado sólido, ainda que não sejam necessaria¬mente duras ou compactas. A areia, por exemplo, é um tipo de rocha.
Quanto à origem, as rochas podem ser classifi¬cadas em magmáticas, sedimentares e metamórficas.

Rochas magmáticas ou ígneas

Formaram-se pelo resfriamento e solidificação dos minerais da crosta terrestre que se encontravam fundidos, isto é, o magma. Como os minerais, ao pas¬sar do estado líquido para o sólido, tendem a formar cristais, estes são frequentes nas rochas magmáticas que são chamadas de cristalinas.
A solidificação do magma pode acontecer no in¬terior ou na superfície da Terra. Por esse motivo, as ro¬chas magmáticas podem ser intrusivas ou extrusivas.
Rochas intrusivas ou plutônicas. Formam-se quando o magma se resfria lentamente nas profun¬dezas da Terra, dando origem a cristais relativamente grandes. São exemplos de rochas intrusivas: o grani¬to e o diorito.
Rochas extrusivas ou vulcânicas. Formam-se pela solidificação do magma expelido pelas erupções vulcânicas. Como seu resfriamento e solidificação são muito rápidos, não há tempo para a formação de macro-cristais. O basalto e a obsídiana são ro¬chas magmáticas vulcânicas.

Rochas sedimentares

Formam-se a partir da compactação de sedi¬mentos. Estes por sua vez procedem da erosão, do transporte e da deposição de minerais - atividades realizadas pela água, pelo vento, por reaçòes quími¬cas, físicas e pela açào de seres vivos. As rochas sedimentares derivam-se, portanto, de rochas que sofrem a ação de processos erosivos.
São rochas sedi¬mentares: a areia, o calcário e o arenito. O carvão e o petróleo são encontrados em formações sedimen¬tares, como veremos adiante no capítulo 22, quando falaremos das fontes de energia.

Rochas metamórficas

O termo metamórficas vem de metamorfose, que significa transformação. As rochas metamórficas fo¬ram, originalmente, rochas magmáticas, sedimentares ou metamórficas que, pela ação do calor ou da pressão do interior da Terra, adquiriram outra estru¬tura. O gnaisse e o mármore são rochas metamórficas.

O ciclo das rochas

As rochas magmáticas, sedimentares e meta¬mórficas sofrem a influência do dinamismo dos fenômenos que alteram a crosta terrestre.
Erosão, metamorfismo, transporte e sedimen¬tação, bem como a cristalização do magma, são pro¬cessos que favorecem a transformação dessas rochas. Vejamos um exemplo:
Uma rocha magmática pode formar rochas sedimentares ou metamórficas. Rochas sedimentares e metamórficas também sofrem metamorfismo, formando no¬vas rochas que são empurradas para as camadas profundas da Terra, até fundirem-se novamente, constituindo parte do magma, que recomeça um novo ciclo.

Estrutura geológica

As rochas e os minerais não estão distribuídos de maneira uniforme pela superfície terrestre. Sua distribuição vai depender da ação das forças internas da Terra - o tectonismo -, no decorrer do tempo geológico.
Podemos chamar de estrutura geológica o conjunto de diferentes rochas de um lugar e os vários processos geológicos sofridos por elas e que dão aos terrenos desse lugar uma característica própria.
Temos três tipos básicos de estrutura geológi¬ca na crosta terrestre: escudos cristalinos, faixas orogênicas e bacias sedimentares.

Escudos cristalinos (núcleos cratônicos)

São rochas magmáticas e metamórficas muito antigas, das eras Pré-Cambriana e Paleozóica. Sofre¬ram forte processo erosivo, apresentando se desgas¬tadas e com baixas altitudes.Quando estão expostas à açào de agentes ero¬sivos, são chamadas escudos (cráton aflorado). Quan¬do estão recobertas por terrenos sedimentares, são denominadas embasamentos cristalinos (plataformas cobertas).
São exemplos de escudos: o das Guianas, o Bra¬sileiro, o Canadense, o Siberiano e o Guineano. Es¬sas áreas são ricas em recursos minerais, principal¬mente as formadas no período Proterozóico da Era Pré-Cambriana.

Bacias sedimentares

Com o passar das eras, os escudos cristalinos foram atacados por processos erosivos. Os sedimen¬tos assim produzidos e transportados pelo vento acu¬mularam-se em depressões existentes na superfície dos escudos (bacias).
Preenchidas pêlos sedimentos que formaram rochas sedimentares, essas áreas são chamadas ba¬cias sedimentares. Temos bacias originárias das eras Paleozóica, Mesozóica e Cenozóica.
Os combustíveis fósseis - carvão e petróleo -são encontrados nesse tipo de estrutura geológica.
No Brasil, temos como exemplos de bacias se¬dimentares a bacia Amazônica, a do Meio-Norte, a Sanfranciscana e a do Pantanal, faixas orogênicas ou dobramentos (antigos e recentes)
A crosta terrestre sofreu, ao longo da história da Terra, movimentos produzidos por forças inter¬nas, que deram origem a cadeias de montanhas.
Podemos diferenciá-los pela antiguidade de formação, ou seja, pela era geológica em que ocor¬reram:
Dobramentos antigos. Alguns datam do Pré-Cambriano, como, por exemplo, o movimento laurenciano, que ocorreu no fim do Arqueozóico e deu origem às serras do Mar e da Mantiqueira, no Brasil. A denominação laurenciano derivou dê rio São Lourenço, região canadense onde foram feitos os primeiros estudos a respeito desse movi¬mento.
No Proterozóico, o movimento huroniano (pesquisado pela primeira vez no lago Huron, Canadá) deu origem à chapada Diamantina, na Bahia, e à serra do Espinhaço, em Minas Gerais. Na Era Paleozóica, ocorreram outros enrugamentos da crosta terrestre:
O movimento caledoniano, ocorrido nos períodos Siluriano e Ordoviciano, formou as montanhas Caledônícas (Escócia), os Alpes Escandinavos (Noruega e Suécia) e as serras de Paranapiacaba (Paraná) e Pireneus (Goiás).
» O movimento herciniano, cujo nome vem de Bosques Hercínios - região alemã localizada na Floresta Negra e afetada por esse movimento no período Carbonífero.
Dobramentos modernos. Ocorreram na Era Terciária e deram origem às mais altas
cadeias de montanhas da Terra: Himalaia, Alpes, Pireneus, Andes e Rochosas.

A Dinâmica Interna do Relevo

Vulcões em erupção, bem como tremores de terra, são ocorrências que podem causar muitos prejuízos, mortes e destruição. Por isso, o estudo desses fenômenos é extremamente importante para a humanidade.
Conhecendo o assunto, é possível evitar danos maiores. Podem-se prevenir catástrofes com medidas de emergência e a retirada de populações das áreas de risco.
Geralmente, podemos notar que vulcões e terremotos são muito frequentes em certas faixas da Terra, em regiões que denominamos Círculo de Fogo.
Isso acontece porque, como vimos no capítulo 6, a crosta terrestre é formada por vários "pedaços" (placas) que se movimentam sobre uma camada viscosa, alguns centímetros por ano.
Os movimentos das placas são responsáveis pêlos agentes modificadores do relevo, originados no interior da Terra. A maior parte da atividade tectônica (deformação das rochas por forças internas) ocorre no limite das placas, isto é, no ponto onde elas interagem (ver capítulo 6).
Entre os agentes internos do relevo (formadores e modificadores), podemos citar: o tectonismo, o vulcanismo e os abalos sísmicos (terremotos). Todos eles estão ligados, de alguma maneira, ao movimento das placas tectônicas, causado pelo calor e peia pressão do interior da Terra.

Tectonismo

O tectonismo ou diastrofismo compreende to¬dos os movimentos que deslocam e deformam as ro¬chas que constituem a crosta terrestre. Corno disse¬mos, esses movimentos são causados por forças que vêm do interior da Terra e agem lenta e prolongada-mente na crosta.
O diastrofismo se manifesta por movimentos verticais (epirogênicos - do grego épeiros = conti¬nente) e movimentos horizontais (orogênícos - do grego ôros = montanha).

Movimentos epirogênicos.

São movimentos verticais que provocam abai¬xamento ou soerguimento da crosta terrestre. Reali¬zam-se muito lentamente e são consequência da isostasia.
A epirogênese pode provocar o rebaixamento de litorais pelas invasões do mar (transgressões mari¬nhas), como no mar do Norte, e o levantamento da costa pelo recuo dos oceanos (regressão marinha), como na Escandinávia. Pode também soerguer ou rebaixar os leitos dos rios, modificando o seu trabalho erosivo. A epirogênese ocorre em áreas geologica¬mente mais estáveis.

Movimentos orogênicos

A orogênese ou "formação de montanhas" é re¬sultado de pressões horizontais ou verticais do inte¬rior da Terra. São movimentos de pequena duração no tempo geológico, mas muito intensos.
Como resultado desses movimentos, temos as dobras (dobramentos) e as falhas (falhamentos) ou fraturas. Se as rochas atingidas não oferecem grande resistência às forças internas, formam-se dobras.
As dobras, portanto, são o resultado de forte compressão de rochas não resistentes às forças in¬ternas. Os dobramentos ocorreram em diferentes ocasiões do tempo geológico (eras Pré-Cambríana e Cenozóica). As dobras acontecem devido a fortes pressões exercidas em terrenos pouco resistentes e plásticos.

ISOSTASIA

A crosta continental [menos densa] flutua sobre o manto e nele se aprofunda como um iceberg no oceano. Nos locais onde o manto é mais espesso, o mergulho da crosta continental é maior. Logo, os blo¬cos mais altos são os que mais afundam, compensan¬do sua altura.
O volume submerso é menos denso que o volume de água deslocado.
O Princípio da Isostasia diz que o volume relativa¬mente menos denso da crosta continental, em relação ao manto, permite que altas montanhas se equilibrem, do mesmo modo que o volume submerso do iceberg, mais leve do que o volume de água deslocado, permite que o iceberg flutue.
As falhas ou fraturas formam-se em áreas onde as rochas são rígidas e resistentes às forças internas e "quebram-se" em vez de dobrar. (Experimente pres¬sionar um pedaço de plástico maleável e outro mais resistente. O primeiro se dobrará facilmente, porém o segundo deverá se romper quando a pressão for mais forte.) Caracterizam-se por um desnível de ter¬renos: uma parte elevada e outra rebaixada.
Como já mencionamos, além da epirogênese e da orogênese, outros movimentos internos, bem mais rápidos e também ligados aos limites das placas tectônicas, podem interferir no relevo terrestre. São as erupções vulcânicas e os abalos sísmicos (terremotos).

Vulcanismo

Chamamos de vulcanismo os fatos e fenôme¬nos geográficos relacionados com as atividades vul¬cânicas, através dos quais o magma do interior da Terra chega até a superfície.
A manifestação típica do vulcanismo é o cone vulcânico e o amontoado de pó, cinzas e lavas forma¬do pelas erupções.
O cone vulcânico, a chaminé, a cratera e a câma¬ra magmática são as partes principais de um vulcão.
Um vulcão expele uma grande variedade de materiais: magma (lava), gases,
Material piroclástico (fragmentos de vários tamanhos — desde partículas de poeira até blocos), cinzas e pó.
Existem manifestações vulcânicas secundá¬rias, como os gêiseres e as fontes termais.
Os gêiseres expelem água quente no sentido vertical. Seus jatos podem durar segundos ou se¬manas e atingir muitos metros de altura. Seu fun¬cionamento depende da quantidade e da tempe¬ratura da água subterrânea. Quando a temperatura da água se torna muito elevada, formam-se jatos de água no sentido vertical, A água expelida do interior da Terra se infiltra lateralmente no solo, é nova¬mente aquecida e recomeça o ci¬clo das águas quentes.
O balneário de Rotorua, na Nova Zelândia, exibe o fenô¬meno vulcânico sob a forma de gases e gêiseres, nos jardins das casas, no meio dos campos e das pastagens, tendo se tornado uma região turística.
Em alguns lugares, a água atinge camadas mais profundas, tornando-se aquecida. Quando aflora, com temperaturas eleva¬das, constitui uma fonte termal. No Brasil, são famosas as fontes termais de Araxá e Poços de Caldas, em Minas Gerais, e a de Goiás.

O Círculo de fogo

A maior parte dos vulcões se localiza ao longo ou próximo do limite das placas tectônicas. São os chamados vulcões de li¬mite de placas. Porém, alguns deles localizam-se no interior de uma placa tectônica, sendo por isso denominados vulcões intra-placas, cujo exemplo mais conhecido é o arquipélago havaiano, situado no inte¬rior da placa do Pacífico.

Os vulcões de limite de placas ali¬nham-se no "encontro" das placas tectônicas, no chamado Círculo de Fogo, que se estende pêlos oceanos Pacífico e Atlântico e pelo mar Mediterrâneo. Te¬mos vulcões tanto nos limites de diver¬gência, como nos limites de convergência das placas tectônicas.
Em limites de divergência, geral¬mente no fundo do mar, ocorrem quase 80% das manifestações vulcânicas da Terra. O movimento do manto afasta as placas, e o magma preenche o espaço que se forma entre elas.
Na cadeia Meso-Atlântica temos uma sequência de vulcões entre as placas Sul-Americana e Africana. Na Islândia, onde a dorsal Atlântica está a céu aberto, a atividade vulcânica é visível e mais in¬tensa que a submarina.
Nas zonas de convergência (subducção), tam¬bém ocorrem ilhas vulcânicas, que podem se apre¬sentar em forma de arco vulcânico, como o Japão, a Indonésia, as Filipinas e as Maríanas. Os vulcões dos Andes formaram-se na zona de subducção das placas de Nazca (oceânica) e Sul-Americana (continental).

Abalos sísmicos

Uma das manifestações mais temi¬das e destruidoras dos movimentos da crosta terrestre são os terremotos ou aba¬los sísmicos.
Quando as forças tectônicas atuam prolongadamente em áreas de rochas du¬ras, elas provocam fraturas ou o desloca¬mento de camadas. Se uma das camadas se mover horizontal ou verticalmente, serão produzidas ondas vibratórias que se espa¬lham em várias direções, causando um ter¬remoto. Portanto, o terremoto é produzido pela ruptura das rochas provocada por acomodações geológicas de camadas in¬ternas da crosta ou movimentação das placas tectônicas.
Em limites transformantes, onde não há con¬vergência nem divergência de placas (ver capítulo 6), é comum ocorrerem terremotos. Podemos citar co¬mo exemplos desse tipo de limite a falha de San Andreas, na Califórnia, Estados Unidos e a falha da Anatólia, causa do terre¬moto ocorrido em 1999 na Turquia
O ponto onde o terremoto se origina recebe o nome de centro ou foco.
O ponto da superfície terrestre diretamente acima do centro é o epicentro, onde o terremoto é sentido com maior intensidade.
O aparelho usado para medir a intensidade de um terremoto é o sismógrafo, que segue a escala Richter - uma escala com l graus, cada um indicando uma intensidade 10 vezes maior que o anterior.

A Dinâmica Externa do Relevo

Se você prestar atenção nas diferentes paisagens que o cerca, quando faz uma caminhada pela cidade, uma excursão a um município vizinho, uma viagem dentro do seu país ou até mesmo ao exterior, verá que cada paisagem apresenta características próprias Elas se formaram pela ação de agentes internos, sendo constantemente modificadas por agentes externos, ou seja, pela ação da água, do ven¬to e das geleiras, que desgastam, destroem e constroem formas de relevo, modelando a superfície terrestre.
Nas mais famosas e bonitas paisagens do mundo podemos reconhecer a presença dos agentes externos do relevo. O trabalho desses agentes é chamado de erosão e compreende três etapas: o desgaste, o transporte e a deposição dos materiais que formam a crosta terrestre.
Os principais agentes erosivos são: a água (que se manifesta de diferentes formas, como chuvas, enxurradas, gelo, rios, mares e oceanos), o vento e o próprio homem agindo sobre o meio natural.

O trabalho erosivo das águas

As águas das chuvas e das enxurradas

A chuva é um dos agentes erosivos mais ativos: ao cair, contínua ou intensamente sobre uma área, ela pode abrir desde pequenos buracos até grandes rachaduras no solo. À erosão provocada pelas águas das chuvas damos o nome de erosão pluvial.
A água causa o desgaste do solo, arrastando par¬te dos materiais que o compõem. Conforme o grau de agressão da força destrutiva das águas da chuva, po¬demos considerar diferentes formas de erosão pluvial:
- Erosão superficial, quando a água leva partícu¬las do solo, sobretudo se não há vegetação para protegê-lo.
- Erosão laminar, quando a quantidade de mate¬rial levado pela água é maior do que na erosão superficial.
- Erosão são sulcos, quando a enxurrada abre pe¬quenos "buracos" no solo.
- Erosão de ravinamento, forma verdadeiras "cra¬teras", que tendem a aumentar com a falta de vegetação e o mau uso do solo.
A inclinação do terreno e a falta de vegetação tornam mais intenso o desgaste provocado pelas águas da chuva. Chuvas fortes deslocam e transpor¬tam materiais nas vertentes dos morros, provocando deslizamentos e desabamentos e colocando muitas áreas em risco. Por isso, o desmatamento desorde¬nado agrava o problema de erosão em determinados lugares:
As águas dos rios
As águas dos rios, em seu percurso, retiram, transportam e depositam materiais, construindo e destruindo as suas margens. À erosão produzida pe¬las águas dos rios e das torrentes, quando escavam o leito por onde correm, damos o nome de erosão fluvial.
Esse trabalho de destruição e construção, realizado pêlos rios, depende de alguns fatores, co¬mo a natureza da rocha, a declividade do terreno, a velocidade do fluxo das águas e a força da corren¬teza. Os vales fluviais são, o mais significativo testemunho do trabalho erosivo das águas dos rios. Os mais comuns são os vales em V e os cânions. Os va¬les em V, formados pelo trabalho das águas das chu¬vas e pêlos deslizamentos de rochas e solos, carac¬terizam-se por apresentar leito margeado por vertentes inclinadas. Veja a seguir como se forma um cânion.
Água mole em pedra dura
O Grand Canyon, nos Estados Unidos, foi escavado pela força das águas do rio Colorado. Entre o ponto mais alto do rio e sua foz há um desní¬vel de 3 000 m. O cânion do Colorado é um jovem rapaz de apenas 13 milhões de anos, perto da Terra, que tem 4,6 bilhões de anos.
Quando ele se formou, os dinos¬sauros já haviam desaparecido há 52 milhões de anos. A água é a responsá¬vel por essa escultura.
Cânions são o resultado da ação erosiva dos rios sobre as rochas. Podem ser encontrados em todos os continen¬tes, mas são mais profundos em luga¬res secos, com solos de arenito, calcário ou xisto - rochas que se dissolvem mais facilmente. À medida que a água es¬cava a rocha, ela vai desnudando suas camadas e ajuda a descobrir parte da história da Terra, O Brasil também tem seus cânions, que podem ser encon¬trados na Bahia (chapada Diamantina e certos trechos do São Francisco) e no Rio Grande do Sul (Itaimbezinho e cSnion Fortaleza).
Como os rios escavam os cânions
Ao correr, os rios carregam partículas das suas margens. Quanto maior o desnível do percurso e dependendo da composição do solo, mais sedimentos a água levará embora.
Se o terreno, desde a nascente até um determinado ponto do curso, é subitamente elevado por um movimento da crosta, o rio ganha velocidade.
A força e a turbulência da corrente escavam o leito no sentido vertical, carregando todo tipo de material que estiver no caminho. Formam-se gargantas profundas, os canhões.
As fases do trabalho de modificação do relevo da superfície terrestre, realizado pêlos rios, podem ser comparadas ao que ocorre durante as etapas da vida;
• Numa primeira etapa, que corresponderia à ju¬ventude, o rio realiza o trabalho de erosão.
• Numa segunda etapa, que corresponderia à fase da maturidade, ele transporta os sedimentos e co¬meça o trabalho de acumulação.
• Numa etapa posterior, que corresponderia à ve¬lhice, predomina o trabalho de deposição de sedi¬mentos.
Quando começam a realizar a deposição de se¬dimentos, os rios formam planícies fluviais, descre¬vendo cursos sinuosos (meandros), onde podemos distinguir, de um lado, um trabalho de erosão e, de outro, um trabalho de acumulação.
Em seu trabalho de erosão, as águas dos rios es¬cavam seu leito e modelam as vertentes (lados) do vale fluvial. Entretanto, nem todos os vales têm a for¬ma em garganta, como os cânions, nos quais pre¬domina o trabalho de erosão.

O trabalho erosivo das águas do mar

As águas do mar modelam as linhas de costa, modificando constantemente os litorais. O trabalho erosivo das águas do mar também pode ser destrutí¬vo e construtivo.
As ondas, principalmente quando quebram nas partes em que o continente avança sobre o mar, arrancam fragmentos das rochas, fazendo as paredes rochosas desmoronarem, num processo erosivo de destruição. Esse poder de erosão das ondas é conhe¬cido como abrasão. As formas típicas de abrasão ma¬rinha são as falésias {costas altas),
O trabalho construtivo das águas do mar é chamado de acumulação marinha. Ocorre especial¬mente nas áreas de costas baixas, onde o mar de¬posita os sedimentos que transporta do continente, sobretudo areia. As praias são formadas pelo traba¬lho de sedimentação marinha.
Outras formas resultantes do trabalho de cons¬trução marinha:
• Restingas. São cordões de areia que se formam paralelamente à costa, quando o mar realiza um lento trabalho de acumulação ou deposição.

Recifes. São formações que podem se originar da consolidação de areia de antigas praias (recifes de arenito) ou da acumulação de corais - minúscu¬los animais marinhos - no litoral (recifes de co¬rais). O mar constrói ilhas de corais sobre vulcões submarinos, que são chamadas de atol. Tômbolas. São línguas ou cordões de areia que ligam uma ilha ao continente.

O trabalho erosivo do gelo

O gelo modela o relevo através das geleiras-massas de gelo formadas nos continentes, em regiões onde a quantidade de neve que cai é maior que a da neve que derrete.
Podemos considerar dois tipos principais de geleiras: as continentais e as alpinas.
Nas regiões de altas latitudes, extensas cama¬das de gelo cobrem tudo: planícies e montanhas. São as geleiras continentais ou inlandsis. Com o aumen¬to das temperaturas no verão, essas geleiras se frag¬mentam. Os blocos de gelo que se dirigem para os oceanos formam os icebergs - montanhas de gelo que representam um grande perigo para a navegação marítima, pois 90% do seu volume fica submerso.
Em outros lugares, as geleiras formam-se nos picos das altas montanhas, com neve permanente. São as geleiras do tipo alpino ou de vale. Elas cons¬tituem uma reserva de água doce que alimenta as torrentes e os rios durante o verão. A parte mais ele¬vada das geleiras alpinas tem forma circular e re¬cebe o nome de circo glacial. Quando esse gelo des¬liza montanha abaixo, formam-se vales glaciais, em forma de U.
As geleiras são poderosos agentes modifica¬dores do relevo, mas seu poder de erosão não é tão grande em rochas muito resistentes. A força erosiva do gelo aumenta com os fragmentos de rochas que transporta e que funcionam como uma "lixa" sobre o solo. A geleira vai acumulando e transportando de¬tritos denominados morenas ou mominas.
Os fiordes da Escócia, da Groenlândia e da No¬ruega são antigos vales glaciais localizados em lito¬rais de costas altas, que foram re-escavados profun¬damente pela ação das geleiras e invadidos pelas águas do mar.

O trabalho erosivo do vento

O vento é um agente erosivo intenso nos de¬sertos e nas praias. O trabalho do vento modificando o relevo é chamado erosão eólica e se realiza de duas formas:
- Destruição. O vento, em seu trabalho destrutivo, retira e transporta partículas mais finas das ro¬chas, em um processo denominado deflação. Ao lançá-los, com violência, contra outras rochas, acaba escavando-as, em um trabalho denomina¬do corrosão. Em decorrência desses processos, surgem grandes depressões, planaltos pedregosos ou formações com aspectos exóticos, como cogu¬melo, taça, etc.
- Acumulação. Quando o vento diminui de veloci¬dade, ele deposita os materiais que carrega, os quais constituem os chamados depósitos eólicos. Com características diferentes, esses depósitos apresentam-se sob duas formas principais:
- Dunas, formadas por uma deposição contínua, apresentam-se como grandes elevações de areia, podendo ser fixas ou móveis.
- Loess, sedimentos muito finos, quase sempre ama¬relados, e muito férteis, constituídos por quartzo, argila e calcário. Sua área de ocorrência mais co¬nhecida é a China Meridional.

As Várias Formas da Superfície da Terra

A superfície terrestre apresenta várias "fisionomias", ou irregularidades, que chamamos de relevo. A atual aparência dessas "fisionomias" e a distribuição dos diferentes tipos de rochas (estrutura geológica) variam muito, pois são o resultado do trabalho conjunto dos agentes in¬ternos e externos que aluaram e continuam aluando sobre a crosta terrestre, durante todo o tempo geológico.
Suponha que o governo do seu estado tenha planejado abrir novas estradas na região. Seria impossível colocar máquinas trabalhando no local sem o conhecimento do terreno.
Para construir estradas, instalar indústrias, fazer um planejamento urbano, é preciso utili¬zar estratégias adequadas do uso do solo, o que requer o conhecimento das formas de relevo e de sua estrutura geológica. Desse conhecimento dependem fundamentalmente trabalhos de engenharia, arquitetura, agronomia, entre outros.
Portanto, para ocupar o meio natural sem correr riscos e, principalmente, sem degradá-lo, precisamos conhecer as características do relevo do local que vai ser ocupado.
A ciência que estuda, de modo geral, o relevo ter¬restre, damos o nome de geomorfologia. Ela explica as formas de relevo, os processos (internos e exter¬nos) de sua formação e a sua estrutura (rochas e mi¬nerais), considerando a escala das eras geológicas

Relevo continental e relevo submarino
O relevo terrestre não abrange somente a su¬perfície do continente, que é chamada relevo continental. Uma grande parte desse relevo encontra-se coberta pêlos oceanos. É o relevo submarino.

O relevo coberto pêlos oceanos
Há dois tipos de crosta; a conti¬nental e a oceânica. No fundo dos oceanos encontramos formas de relevo semelhantes às do relevo conti¬nental.
De acordo com a profundidade, podemos dife¬renciar no relevo submarino várias partes com características próprias:
- Plataforma continental. É praticamente uma continuação do continente. Vai até 200 m de profundidade, a partir do nível do mar. É uma área de deposição de sedimentos, a maior parte vinda do continente. Tornou-se uma importante área de exploração e pesquisa de petróleo.
- Talude continental. Declive acentuado que marca a passagem da plataforma para a região pelágica.
- Região pelágica. Vai de l 000 a 5 000 m de pro¬fundidade. É onde encontramos as formas de relevo submarino.
- Região abissal. Com mais de 5 000 m de profun¬didade, é a região menos conhecida da Terra. Escuridão, frio e a pressão provocada pelo enorme peso das águas oceânicas são as suas característi¬cas principais. Mesmo assim, alguns animais se adaptaram a esse ambiente.

Montanhas no fundo do mar
O assoalho oceânico não se apresenta total¬mente liso. Montanhas, cordilheiras, planícies, depressões e até vulcões são encontrados no fundo do mar, na região pelágica. Entre as diversas formas de relevo submarino, podemos destacar:
- Dorsais oceânicas. São grandes cadeias de mon¬tanhas que existem no fundo dos oceanos. Seus picos podem aparecer em forma de ilhas, como o arquipélago dos Açores, no oceano Atlântico.
- Bacias oceânicas. São o leito dos oceanos, ex¬cluindo as cordilheiras e as fossas. São mais co¬muns no Atlântico e no Índico e podem ser cha¬madas de planícies abissais.
- Montes marinhos. São montanhas submersas cujos picos não afloram à superfície. Os picos ma¬rinhos são os topos pontiagudos desses montes. Um exemplo são os montes do Imperador, no oceano Pacífico.
- Ilhas vulcânicas. São topos de vulcões submari¬nos que alcançam a superfície, formando ilhas ou arcos de ilhas, como o arquipélago do Havaí, as ilhas da Islândia e as ilhas do Caribe.
- Guyots. São antigas ilhas cujos topos foram abai¬xados pela erosão e estão submersos.

As fossas submarinas
São os pontos mais profundos da Terra. Fazem parte da região abissal. Costumam ocorrer no encon¬tro de duas placas oceânicas ou de uma placa oceâni¬ca e outra continental, A mais profunda é a fossa das Marianas, no oceano Pacífico, com -l l 034mdepro¬fundidade.

O relevo continental
A "fisionomia" dos continentes, com seus altos e baixos, é muito mais familiar a nós do que as formas de relevo submarino e, muitas vezes, interfere diretamente em nossas atividades. Por exemplo, as ladeiras íngremes de uma cidade montanhosa difi¬cultam a nossa locomoção. De outro modo, quem mora em São Paulo ou em Curitiba precisa descer a serra para chegar ao litoral e, as vezes, enfrentar grandes congestionamentos nesse percurso.
Há cidades cuja geografia lhes confere uma beleza natural, como a cidade do Rio de Janeiro, localizada "entre o mar e as montanhas". Outras apresentam características interessantes, como a cidade de Salvador, que é "dividida" pelo relevo em Cidade Alta e Cidade Baixa, unidas pelo elevador Lacerda

Poderíamos citar vários exemplos da estreita "convivência" do homem com o relevo continental, que tem como principais formas as montanhas, os planaltos, as planícies e as depressões.
- Montanhas. São formas de relevo que apresen¬tam maior altitude. Podem ter origem, forma e al¬tura diferentes.
Quanto à origem, há montanhas de dobras, de falhas, vulcânicas e de erosão.
Quanto à idade, podem ser: novas, velhas e rejuvenescidas.
Muitas vezes, as montanhas formam cadeias com quilômetros de extensão. São as chamadas cordilheiras.
- Planaltos. Superfícies que podem apresentar diferentes aspectos (serras, chapadas, escarpas, morros) e que resultam do trabalho de erosão so¬bre rochas cristalinas e sedimentares. Segundo o professor Jurandyr Ross, planalto "é uma superfí¬cie irregular, com altitudes acima de 300 m".
- Planícies. Segundo o professor Jurandyr Ross, são superfícies planas, que têm no máximo 100 m de altitude, formadas por processos de sedimenta¬ção de águas de rios, mares e lagos. Algumas pla¬nícies fluviais podem se formar em compartimen¬tos de planalto, não importando a altitude.
- Depressões. São áreas mais ou menos planas que sofreram prolongados processos de erosão. Geral¬mente, sua altitude varia de 100 a 500 m. Segun¬do o professor Jurandyr Ross, "são áreas mais pla¬nas do que os planaltos". As depressões podem ser relativas ou absolutas. As depressões relati¬vas situam-se acima do nível do mar, mas abaixo das regiões vizinhas. As depressões absolutas es¬tão situadas abaixo do nível do mar.
Os planaltos em áreas de terrenos sedimentares formam "frentes de cuestas" no contato com as depressões periféricas que os cercam.

Podemos representar o relevo de várias formas, entre as quais as mais utilizadas são a técnica das cur¬vas de nível e o perfil topográfico.
Curvas de nível
As curvas de nível são isoípsas, ou seja, li¬nhas que unem pontos de igual altitude na su¬perfície representada. Entre elas existem interva¬los iguais, que podem ser de 10, 20, 30, 40 m, e assim por diante. O intervalo existente entre uma curva de nível e outra é chamado eqüidistância.
• As curvas de nível são mais próximas quando representam terrenos elevados e mais afas¬tadas na representação de terrenos planos.
• Entre, duas curvas de nível Consecutivas há a mesma diferença de altitude.
Os rios nascem nas áreas mais altas e correm para as mais baixas.
Pontos situados na mesma curva de nível têm a mesma altitude.
A técnica utilizada para analisar o relevo do solo (ele¬vações, curvas, depressões), e que representa essas dife¬renças através de curvas nível, é chamada de topografia. A imagem resultante desses processo é a carta topográfica
A topografia é essencial pára a elaboração de projetos de engenharia, agronomia, arquitetura e urbanismo.

Perfil topográfico
A intersecção da superfície; do solo com o plano vertical que passa naquela direção é o per¬fil do relevo.
O perfil de determinada região possibilita perceber os altos e baixos do relevo no corte ho¬rizontal da carta que representa a região.